segunda-feira, 20 de março de 2023

CONTO 31: "Capa de junco"

 


Capa de Junco

Adaptação de um conto do folclore inglês.

Cordélia era uma jovem que trabalhava como ajudante de cozinha em uma rica mansão. Por estar sempre vestida com uma capa de junco trançado, que lhe deixava à mostra apenas os olhos, seus amigos a chamavam de Capa de Junco. O que ninguém sabia é que ela era filha de um senhor muito rico que morava com suas três herdeiras em um dos países vizinhos. Amava a todas, mas sua preferida era a terceira, o que provocava o ciúme da mais velha e o da segunda. Certo dia, Capa de Junco, foi expulsa de casa pelo próprio pai, que a julgara desnaturada e sem coração, quando ele, querendo dividir seus bens entre as três filhas e desejando deixar a maior parte àquela que o amasse mais que as duas outras, fez a cada uma delas esta pergunta : “O quanto você gosta de mim, minha querida?”. Como Cordélia lhe respondeu que o amava tanto como a carne fresca ama o sal, o ancião sentiu-se desprezado pela caçula, amaldiçoando-a, e colocou-a dali para fora.

Triste e lamentando o modo como o pai interpretara suas palavras, a jovem partiu trajando três dos seus vestidos mais belos, um sobre o outro, e com suas joias mais valiosas, mas tendo o cuidado de cobrir-se com uma capa feita de junco trançado, para não chamar a atenção e não ser reconhecida por ninguém. E assim estranhamente vestida e disfarçada foi até um dos reinos vizinhos, onde logo arrumou serviço como ajudante de cozinha em uma mansão de um rico senhor, pai de um rapaz muito bonito e em idade de casar-se. Ali, ela foi aceita como empregada encarregada de preparar as refeições e arrumar a cozinha.

Da janela da cozinha da mansão, via o jovem seu patrão, que não lhe dava a mínima atenção. Ela era somente uma das suas criadas. Aos poucos, Capa de Junco – sem revelar a ninguém sua verdadeira identidade – foi-se apaixonando pelo jovem rico.

Um dia, a mãe do rapaz decidiu dar uma festa na mansão. Seriam três dias de danças e banquetes. Todos os reis e pessoas influentes daquela localidade e dos países vizinhos foram convidados. O jovem, que já estava em idade de casar-se, deveria escolher, entre as moças presentes, sua futura esposa.

Toda a mansão se movimentou para a grande festa. Capa de Junco trabalhou muito durante os preparativos para os três dias de baile. Mas havia decidido participar das festas. Assim, quando, na primeira noite de baile, terminou suas tarefas na cozinha, rapidamente se dirigiu aos seus aposentos, banhou-se e escolheu um dos vestidos que levara quando deixou a casa paterna. Com ele, com algumas de suas joias e com um diadema nos cabelos, ninguém a reconheceria como Capa de Junco.

Logo que chegou ao baile, atraiu a atenção do jovem patrão, que dançou com ela a noite toda. O rapaz estava encantado com a misteriosa dama que, antes da última badalada da meia-noite, desapareceu como que por encanto.

Inutilmente o jovem procurou pela encantadora jovem com quem dançara na noite anterior. Por melhor que a descrevesse, ninguém sabia dar-lhe notícias dela. Nas duas noites seguintes, os fatos sucederam-se como os do primeiro baile: Capa de Junco esperou todos se dirigirem ao salão de festas e, ficando sozinha, foi para os seus aposentos, onde se arrumou e dirigiu-se, em seguida, para o salão. Deslumbrante, como sempre!

Na última contradança do terceiro e último baile programado, o jovem deu-lhe de presente um anel de brilhantes e lhe disse que “morreria se não a visse novamente”.

No dia seguinte, em vão o rapaz procurou pela misteriosa jovem, mas nem sinal dela! Ninguém sabia quem era e nem onde morava. Amargurado, o jovem foi se deixando abater até cair enfermo. Inutilmente, seu pai e seus amigos faziam de tudo para erguer-lhe o ânimo. Nada conseguia devolver-lhe a vontade de viver. E o rapaz se tornava, a cada dia, mais deprimido. Um dia pediu que a cozinheira preparasse um mingau para o filho que se encontrava bastante debilitado. Capa de Junco, que estava na cozinha, ouviu o pedido e insistiu com a cozinheira para que a deixasse fazê-lo. Preparou-o e ao colocá-lo no prato deixou cair o anel de brilhantes que o jovem lhe dera. Quando o rapaz foi comer o mingau engasgou-se com o anel. Logo reconheceu-o como o que havia dado à misteriosa jovem por quem se apaixonara. Ordenou, então, que chamassem a cozinheira, e esta, com medo de ser castigada, contou-lhe que o mingau fora feito por Capa de Junco, a moça que a ajudava na cozinha. Radiante, o rapaz mandou que Capa de Junco fosse à sua presença. Ela atendeu ao chamado, mas, antes, vestiu-se como na terceira noite de baile e colocou a capa por cima.

Na presença do rapaz e da mãe dele, esclareceu-lhes quase tudo, menos o nome de seu pai. Foi marcado, então, o dia do casamento. Todos os nobres e pessoas abastadas das cidades vizinhas foram convidados. Também o pai de Capa de Junco. Chegou o dia das bodas. Por solicitação de Capa de Junco, as carnes que seriam servidas durante o banquete não foram temperadas com sal. A cozinheira estranhou muito esse pedido e esse costume, mas, como, dali para a frente, Capa de Junco seria sua patroa, calou-se e fez como ela lhe pedira.

Durante o banquete, ao serem servidas as carnes, ninguém conseguia comê-las: estavam insípidas, sem sabor. Muito aborrecido, o rapaz e o pai dele queriam castigar a cozinheira, mas

Capa de Junco assumiu a culpa e confessou que a empregada assim agira por ordem dela. Enquanto falava, lágrimas rolavam dos olhos daquele que era seu pai.

Quando o rapaz perguntou ao rico senhor por que chorava tanto, ele lhe respondeu que era de saudade e remorso pelo que fizera à sua filha caçula. Ele a expulsara de casa porque ela lhe respondera que o amava tanto quanto a carne fresca ama o sal. E ele, julgando-a ingrata e sem amor filial no coração, cometera o erro de mandá-la embora. Somente agora compreendia o significado daquela comparação feita pela filha, mas, tarde demais, porque, talvez, ela já estivesse morta.

Capa de Junco, então, penalizada com o sofrimento do pai, abraçou-o e revelou ser a filha que ele julgava ter perdido. Perdoou-o, e todos foram felizes para sempre.

Disponível em:

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CONTO 30: "Bicho de palha"

 

Bicho de Palha

Coletado por Luís da Câmara Cascudo

Bicho de Palha era o apelido dado a Maria pelos criados com quem ela trabalhava no palácio de um príncipe elegante e muito bonito. Ninguém sabia quem ela era realmente e de onde viera e por que saíra de sua casa. Chamavam-na assim porque ela vivia coberta por uma capa de palha trançada, que lhe deixava à mostra somente os olhos. No palácio real, ela limpava os aposentos e os banheiros dos criados. A jovem vivia calada, pouco conversava com as pessoas com quem convivia. Mas amava, a distância, o príncipe. E, como era trabalhadeira e não se importava com a vida alheia, deixavam-na ficar assim, anônima.

Mas o que ninguém sabia era que Maria, este era o verdadeiro nome de Bicho de Palha, era filha de um rico comerciante que se casara novamente com uma viúva que também tinha uma filha da mesma idade da enteada. E, para escapar dos maus-tratos da madrasta, a jovem enteada resolveu fugir de casa.

Antes, porém, seguindo o conselho de uma velhinha de feições muito bondosa e serena, com quem se encontrava sempre que ia lavar roupas no rio, ela fez uma capa de palha trançada, cobriu-se com ela, apanhou umas poucas roupas, fez uma trouxa com essas, pegou a varinha de condão que a bondosa senhora lhe deu, para ser usada em caso de muita necessidade, e foi-se para o outro lado da cidade, onde estava o palácio do príncipe. Como lá precisavam de alguém para limpar os aposentos e banheiros dos criados, foi logo empregada.

Lá, como já se informou, ganhou o apelido de “Bicho de Palha”.

Um dia, o príncipe, que já estava em idade de casar-se, resolveu, de comum acordo com a rainha sua mãe, dar, durante três noites seguidas, um grande baile. Na última noite, escolheria, entre as jovens presentes, sua futura esposa. Assim sendo, todas as jovens do reino, sem distinção de classe social, foram convidadas.

A notícia agitou todos os moradores da redondeza, principalmente as jovens casadoiras. Não foi diferente com as que trabalhavam no palácio do príncipe.

Apenas Bicho de Palha mantinha-se quieta e indiferente no seu canto.

O dia do grande baile chegou, com muita movimentação e expectativa por parte de todos. As outras criadas, bem antes do pôr do sol, já se haviam retirado para seus aposentos para se prepararem para a festa. Somente Bicho de Palha ficou disponível para servir ao príncipe. Ele lhe pediu que lhe trouxesse uma bacia com água, a fim de banhar-se e vestir-se para o baile.

 Mal o jovem saiu, Bicho de Palha pegou a varinha de condão que a bondosa velhinha lhe dera, quando saiu da casa do pai, e, comandando-a como a senhora lhe instruíra, pediu-lhe que lhe desse um vestido cor do campo com todas as suas flores. Bem vestida e calçada, foi ao baile em uma vistosa carruagem. Sabia que o encantamento terminaria à meia-noite em ponto. Portanto, não poderia atrasar-se para retornar aos seus aposentos.

O príncipe, mal a viu, apaixonou-se, pois não havia moça mais bonita e mais bem vestida que ela. Quando ele lhe perguntou onde morava, ela lhe respondeu: “Moro na Rua das Bacias”. E assim foram as outras duas noites restantes: na segunda, ao preparar-se para a festa, o príncipe pediu a Bicho de Palha que lhe levasse uma toalha, e, na terceira e última noite, um pente. E ela compareceu aos bailes, cada noite com um vestido diferente. E a cada uma dessas o príncipe lhe perguntava onde morava. E ela lhe respondia: “Moro na Rua das Toalhas” (segunda noite do baile) e: “Moro na Rua dos Pentes” (terceira noite).

Na terceira e última noite, atrasou-se alguns segundos para sair da festa, e, na pressa, perdeu um dos sapatinhos de cristal. Um dos criados do príncipe o achou e o levou a Sua Alteza, que imediatamente ordenou que procurassem a misteriosa dona do sapatinho por todo a reino e região.

Finalmente, Bicho de Palha foi encontrada exatamente no palácio do príncipe. Sua identidade foi revelada, e ela se casou com o seu amado. E a varinha de condão, cumprida sua missão, voou para o Céu, para a bondosa velhinha de feições meigas, que era Nossa Senhora, a madrinha e protetora de Maria.

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CONTO 29: "O diamante"

                                                                    

                                            O diamante

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Um dia, Maria chegou em casa da escola muito triste.

— O que foi? — perguntou a mãe de Maria.

Mas Maria nem quis conversa. Foi direto para o seu quarto, pegou o seu Snoopy1 e se atirou na cama, onde ficou deitada, emburrada.

A mãe de Maria foi ver se Maria estava com febre. Não estava. Perguntou se Maria estava sentindo alguma coisa. Não estava. Perguntou se estava com fome. Não estava. Perguntou o que era, então.

— Nada — disse Maria.

A mãe resolveu não insistir. Deixou Maria deitada na cama, abraçada com o seu Snoopy, emburrada. Quando o pai de Maria chegou em casa do trabalho, a mãe de Maria avisou:

— Melhor nem falar com ela...

Maria estava com cara de poucos amigos. Pior. Estava com cara de amigo nenhum. Na mesa de jantar, Maria de repente falou:

— Eu não valo nada. O pai de Maria disse:

— Em primeiro lugar, não se diz “eu não valo nada”. É “eu não valho nada”. Em segundo lugar, não é verdade. Você valhe muito. Quer dizer, vale muito.

— Não valho.

— Mas o que é isso? — disse a mãe de Maria. —Você é a nossa filha querida. Todos gostam de você. A mamãe, o papai, a vovó, os tios, as tias. Para nós, você é uma preciosidade. Mas Maria não se convenceu. Disse que era igual a mil outras pessoas. A milhões

de outras pessoas.

— Só na minha aula tem sete Marias!

— Querida... — começou a dizer a mãe. Mas o pai interrompeu.

— Maria — disse o pai —, você sabe por que um diamante vale tanto dinheiro?

— Porque é bonito.

— Porque é raro. Um pedaço de vidro também é bonito. Mas o vidro se encontra em

toda parte. Um diamante é difícil de encontrar. Quanto mais rara é uma coisa, mais ela

vale. Você sabe por que o ouro vale tanto?

— Por quê?

— Porque tem pouquíssimo ouro no mundo. Se o ouro fosse como areia, a gente ia caminhar no ouro, ia rolar no ouro, depois ia chegar em casa e lavar o ouro do corpo para não ficar suja. Agora, imagina se em todo o mundo só existisse uma pepita de ouro.

— Ia ser a coisa mais valiosa do mundo.

— Pois é. E em todo o mundo só existe uma Maria.

— Só na minha aula são sete.

— Mas são outras Marias.

— São iguais a mim. Dois olhos, um nariz...

— Mas esta pintinha aqui nenhuma delas tem.

— É...

— Você já se deu conta de que em todo o mundo só existe uma você?

— Mas, pai...

— Só uma. Você é uma raridade. Podem existir outras parecidas. Mas você, você mesma, só existe uma. Se algum dia aparecer outra você na sua frente, você pode dizer: é falsa.

— Então eu sou a coisa mais valiosa do mundo.

— Olha, você deve estar valendo aí uns três trilhões...

Naquela noite a mãe de Maria passou perto do quarto dela e ouviu Maria falando com o Snoopy

— Sabe um diamante?


Disponível em:

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CONTO 28: "O voador"

 

O voador

(Coletado pelos Irmãos Grimm) 

Era uma vez um caçador que, entrando em uma floresta para caçar, ouviu um choro de criança. Aproximou-se do lugar de onde ele vinha, e viu, no alto de uma árvore, uma criancinha que para lá fora levada por uma ave de rapina, que a arrancara dos braços da mãe, que adormecera debaixo da árvore.

O caçador trepou na árvore e tirou a criança, um menino, disposto a levá-lo para casa e criá-lo, junto com sua filhinha Lina. De fato, as duas crianças cresceram juntas.

Como fora levado por uma ave para o alto de uma árvore, o menino ficou chamando Voador. Voador e Lina gostavam tanto um do outro, que ficavam muito tristes quando tinham de se separar.

O caçador tinha uma cozinheira que todas as tardes pegava dois baldes e ia buscar água, e não ia uma só vez, mas muitas vezes, ao poço. Lina teve curiosidade e per-guntou à cozinheira, que se chamava Sanna: -

– Por que trazes tanta água?

– Eu lhe direi, se prometeres não contar a ninguém - disse Sanna.

Ela prometeu não contar, e a cozinheira disse:

– Amanhã bem cedo, quando teu pai estiver caçando, vou ferver a água toda que eu trouxer, em um balde muito grande, e jogar Voador dentro.

Na manhã seguinte, o caçador saiu bem cedo para caçar, deixando as crianças ainda na cama. E Lina disse a Voador:

– Se nunca me deixares, eu também nunca te deixarei.

– Nem agora nem em tempo algum te deixarei - replicou Voador.

– Vou dizer-te então - falou Lina. - Ontem, vendo a velha Sanna trazer para casa muitos baldes de água, perguntei-lhe porque estava fazendo aquilo, e ela, depois de me fazer prometer que não contaria a ninguém, disse que hoje de manhã cedo ferveria água suficiente para encher uma grande tina, e jogaria você dentro da tina com água fervendo. Mas nós vamos nos levantar logo, vestirmos logo e sairmos daqui juntos.

E as duas crianças levantaram-se, vestiram-se rapidamente e saíram. Quando a água estava fervendo, a cozinheira foi ao quarto procurar Voador para jogá-lo dentro da tina com água fervendo, e, não encontrando-o, assim como Lina, ficou alarmada, perguntando a si mesma:

"O que irei fazer, quando meu patrão voltar para casa e descobrir que as crianças saíram? Tenho de mandar alguém imediatamente atrás delas."

Deu ordem, então, a três criados de saírem em perseguição às crianças e trazê-las de volta. Elas estavam descansando fora da floresta e, quando viram de longe os três criados correndo, Lina disse a Voador:

–  Se nunca me deixares, eu também não te deixarei.

– Nem agora nem em tempo algum te deixarei. - replicou Voador.

– Vais virar uma roseira e eu a rosa da roseira - decidiu Lina.

Quando os três criados chegaram à floresta, não viram nem sinal das crianças, mas apenas uma roseira com uma rosa. Certos de que nada se poderia fazer ali, os criados voltaram para casa para anunciarem o seu fracasso, contando que nada mais tinham visto de novidade, a não ser uma roseira com uma rosa: –  exclamou a cozinheira, furiosa. – Deveríeis ter cortado a roseira, colhido a rosa e trazido para cá. Ide fazer isso, imediatamente.

Os criados chegaram à floresta, mas as crianças de longe viram-nos se aproximarem. Lina disse então:

–  Se nunca me deixares, eu também jamais te deixarei.

 Nem agora nem em tempo algum te deixarei - replicou o outro.

–  Então, vais virar uma igreja e eu o candelabro da igreja.

Assim foi feito, de modo que, quando os três criados lá chegaram, coisa alguma encontraram, a não ser a igreja com um candelabro. Voltaram para junto da cozinheira para se desculparem, e contaram então que só haviam encontrado uma igreja com um candelabro.

– Idiotas! - exclamou a cozinheira. - Por que não derrubastes a igreja e trouxestes o candelabro?

E a própria cozinheira resolveu ir com os três criados em perseguição aos fugitivos. Estes, porém, mais uma vez avistaram de longe a aproximação de seus perseguidores, e Lina disse a Voador:

– Nem agora nem em tempo algum te deixarei. - replicou Voador.

–  Serás uma lagoa e eu serei um pato nadando nela - disse a menina.

E de fato assim aconteceu.

A cozinheira não tardou a aparecer, e, quando viu a lagoa, deitou-se junto dela, para saciar a sede que o calor e a caminhada haviam provocado.

Então, o pato pousou em sua cabeça e com fortes bicadas empurrou-a para dentro da água, até que a velha bruxa se afogou.

As crianças voltaram para casa, satisfeitíssimas e satisfeitíssimas continuaram, e, se ainda não morreram, estão vivas até hoje. 

Disponível em:

https://www.escrevendoofuturo.org.br/EscrevendoFuturo/arquivos/977/NPL12.pdf

CONTO 27: "A garotinha"

                                                                    

                                                                     A garotinha

 Autor desconhecido

Com os pés descalços e sujos, a garota apenas sentou e assistiu as pessoas passarem. Ela nunca tentou falar, nunca disse uma palavra. Muitas pessoas passavam, mas ninguém parava.

No dia seguinte, eu decidi voltar para o parque, curioso se a garotinha ainda estaria lá.

Ela se encontrava no mesmo local que ontem, mas com um olhar mais triste.

Hoje eu resolvi tomar uma atitude e andei em direção à garotinha.

Como todos sabem, um parque cheio de pessoas estranhas não é um local apropriado para uma criança brincar sozinha.

Enquanto eu andava em direção a ela, pude ver que nas costas do vestido da garotinha havia uma deformidade. Eu descobri a razão porque as pessoas passavam e não moviam um único dedo para ajudar.

Enquanto chegava mais perto, a garotinha levemente desviou o olhar para evitar que eu a encarasse.

Eu pude ver o formato de suas costas mais claramente. Havia uma corcova grotesca, como a de um corcunda. Eu sorri para mostrar à garota que estava tudo bem, eu estava lá para ajudar, para conversar. Sentei ao lado dela e comecei o bate-papo com um simples "olá".

A garotinha mostrou-se chocada e arriscou um "oi" depois de me encarar longamente nos olhos.

Eu sorri e ela timidamente sorriu de volta. Nós conversamos até a noite declinar e o parque ficar completamente vazio.

Todos tinham ido e estávamos sós. Perguntei à garota porque ela estava tão triste.

A garotinha olhou para mim e, com uma carinha triste, disse:

–  "Porque eu sou diferente."

Eu imediatamente respondi:

–  "É !" e sorri.

A garotinha ficou ainda mais triste e disse,

–  "Eu sei."

- "Garotinha", eu disse, - "Você me lembra um anjo, doce e inocente."

Ela olhou para mim e sorriu. Vagarosamente ela ficou em pé e disse,

–  "Verdade?".

–  "Sim, - você é como um pequeno anjo da guarda mandado para olhar por todas as pessoas que passam." Ela balançou sua cabeça afirmativamente, sorriu e, com isso, alargou suas asas e disse,

–  "Eu sou. Eu sou o seu anjo da guarda", com um leve piscar em seus olhos.

Eu fiquei sem fala, certo de que estava vendo coisas. Ela disse,

–  "Pelo menos uma vez você pensou em alguém que não fosse você mesmo. - "Meu trabalho está feito aqui." Imediatamente me levantei e disse,

–  "Espere, então porque ninguém parou para ajudar um anjo?".

Ela olhou para mim e sorriu, "Você era o único que podia me ver e você acredita nisso em seu coração."

E ela se foi. A partir daí, minha vida mudou drasticamente.

Portanto, todas as vezes que pensar que você é tudo o que você tem, lembre-se: seu anjo está sempre olhando por você...

Disponível em: http://oscontospopulares.blogspot.com/2008/08/garotinha.html

CONTO 26: "A Águia e a Galinha"

 

A Águia e a Galinha

Autor desconhecido

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.

Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:

– Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia.

–  De fato, disse o homem- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.

–  Não, retrucou o naturalista – Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.

– Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia.

Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse:

– Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou:

–  Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!

 – Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.

No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa.

Sussurrou-lhe:

–  Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!

Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.

O camponês sorriu e voltou a carga:

–  Eu havia lhe dito, ela virou galinha!

– Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:

– Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!

A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.

Foi quando ela abriu suas potentes asas.

Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto.

Voou. E nunca mais retornou.

Fonte: http://oscontospopulares.blogspot.com/2008/08/guia-e-galinha.html

CONTO 25: "O vaso vazio"

 


O Vaso Vazio

(Adaptação de Ciça Lima)

Era uma vez um reino onde o rei gostava muito de flores, haviam flores plantadas em todos os jardins das casas, nos canteiros, nas ruas e nas calçadas.

Na primavera as flores se abriam e todo o reino ficava colorido e perfumado.

Então, eles faziam uma festa, a Festa da Primavera, e muitas pessoas de outros países viajavam para ver a beleza das flores.

Esse rei não tinha filhos e já estava viúvo e idoso. Como ele não tinha nenhum herdeiro para seu trono resolveu fazer uma competição entre os meninos e meninas do reino para escolher seu sucessor.

Ele mandou chamar todas as crianças e a cada uma delas deu um vaso com terra e uma semente.

Falou que elas deveriam plantar a semente e no ano seguinte, na Festa da Primavera, levar o vaso até o rei.

Disse que a criança, dona da flor mais bonita e mais bem cuidada seria o seu herdeiro.

Todas as crianças ficaram animadas e logo começaram a cuidar de suas flores com todo o carinho pois queriam se tornar um príncipe ou princesa.

Um ano depois, na Festa da Primavera, todas as crianças levaram os seus vasos ao rei com suas lindas flores.

Porém, uma menina apresentou ao rei um vaso vazio. O rei, sem entender, perguntou a ela o que significava aquilo.

– Eu plantei a minha semente no vaso e ela cresceu rapidamente, mas logo ela começou a ficar apertada neste vaso, então a coloquei em um vaso maior e logo ela cresceu, mas o vaso também ficou pequeno, então a plantei no meu quintal e ela se transformou em um grande arbusto florido.

– Você realmente sabe como cuidar de uma flor, você foi o única a entender que para cuidar de uma planta devemos entender as suas necessidades e deixá-la crescer da melhor maneira. Você será minha sucessora.

 

https://www.historiasqueminhaavocontava.com/2023/03/20/o-vaso-vazio/

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